por Janaina Pereira
A trilha sonora da minha vida é repleta de músicas dos Paralamas do Sucesso. A primeira vez que ouvi Vital e sua moto gostei daquele som meio inusitado para um suposto rock. Eu tinha sete anos. Titãs, Legião e Barão chegaram na minha vida muito mais tarde. E, embora admire Cazuza e Renato Russo como compositores, sempre fui apaixonada pelas letras do Herbert Vianna.
Herbert de Perto, o ótimo documentário sobre a vida do vocalista dos Paralamas, dirigido por Roberto Berliner e Pedro Bronz, é para fãs e leigos, é para quem conhece ou não um artista que teve sua vida marcada por um drama pessoal – o acidente que, em 2001, deixou o cantor paraplégico e matou sua esposa, Lucy.
Mas o documentário - em cartaz desde sexta, dia 9, em circuito nacional – não se apoia na carreira ou na tragédia de Herbert. Sem tomar partido, traça o perfil de um cantor limitado, músico afinado, compositor talentoso, pai amoroso, filho querido e marido apaixonado.
Intercalando cenas da vida e da obra de Herbert com depoimentos dos pais, do irmão Hermano, dos companheiros Bi e Barone, do amigo Dado Villa-Lobos, do empresário José Fortes e do próprio Herbert, Herbert de Perto apresenta um homem verdadeiramente intenso, sem dramas ou apelação. Emociona mas diverte e é contagiante – músicas certas nas horas certas, tendo a simpática A vida não é filme, dos versos ‘a vida não é filme e você não entendeu/ninguém entrou no quarto quando escureceu’ , como ponto de partida e de desfecho. Perfeito.
Herbert – que teve a memória afetada com o acidente – revê entrevistas ao longo do filme, em cenas e declarações que sua mente não lembrava mais. Mas não há melodrama: tudo é pontuado pela vivacidade, força e fé que ele representa.
Olhando pelo retrovisor, Herbert de Perto traz a memória afetiva da geração BRock, o movimento que lançou uma dúzia de bandas nos anos 1980. Poucas sobreviveram. Herbert e o seu Paralamas resistiram a tudo: fracasso, brigas e até a morte – os médicos que cuidaram do cantor declaram que ele sobreviveu por milagre. Mas não se abale com nada disso: ele é um exemplo de que a vida continua, apesar de tudo. Ou, como ele mesmo escreveu, a vida não é filme

Herbert de Perto
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