por Janaina Pereira
Já faz algum tempo que os filmes de ficção científica estão tentando se reinventar. O gênero, de clássicos como Star Trek e Star Wars, ganhou um novo direcionamento no início dos anos 1980, quando Blade Runner previa um futuro catastrófico, fazendo paralelo com o presente e mostrando metáforas da vida – os andróides queriam ser imortais tanto quanto os humanos.
De lá para cá, várias tentativas foram feitas para dar novos rumos ao sci-fi, até surgir Minority Report, de Steven Spielberg, a nova guinada do gênero início dos anos 2000. Agora esqueçam tudo que eu escrevi e concentrem-se no filme do ano e, quem sabe, na mais importante história de ficção científica da década. Nada mais será como antes depois de Distrito 9, a produção de Peter Jackson dirigida por um sul-africano, protagonizada pos atores desconhecidos e com o frescor que o ‘futuro’ precisava. O longa entra em cartaz no circuito nacional hoje.
Distrito 9 é inovador por um único motivo – que no trailer você já consegue sacar. A história já foi contada mil vezes: extraterrestres invadem a Terra, os humanos querem destruí-los, trava-se uma batalha, aquelas coisas de sempre. A tal sacada do roteiro é que o filme foi feito como um documentário, com depoimentos, atores olhando para câmera, como se fosse baseado em fatos reais. Não é inovador no cinema, mas no gênero ficcção cinetífica é. E isso, e apenas isso, já faz do filme brilhante, perfeito e – algo raro no cinema atual – inteligente. Mas ele vai além. Seu conteúdo político é inegável, pois o jovem diretor sul-africano Neill Blomkamp mostra os alienígenas sendo segregados pelos humanos, tal como aconteceu em seu país na época do Apartheid.
Sim, é isso mesmo, Distrito 9 é sobre o preconceito, a discriminação de raças, e de forma sagaz coloca alienígenas no lugar que um dia foi dos negros. Os aliens de Blomkamp moram na favela e têm atitudes que os negros tinham devido ao pouco acesso à recursos básicos para sobreviver.
O protagonista Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, ótimo ator que mostra desamparo e desespero na medida certa), encarregado de despejar os aliens, é o grande condutor da história, e eu paro por aqui, porque se contar mais, estrago o prazer de conferir a longa e se encantar com ele.
O filme teve baixo orçamento (30 milhões de dólares) para os padrões hollywoodianos, mas parece uma mega produção recheada de efeitos especiais. E Peter Jackson, que não é bobo, sabia muito bem em que apostava. Ponto para ele. Distrito 9 é o filme mais engajado e orginal do ano. E isso não é pouco

Distrito 9
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